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domingo, 23 de outubro de 2011

A morte foi sua mãe





Ao som de Open Your Eyes, eu deixei sair o sentimento que estava reprimido há tanto tempo em mim. Aquela nostalgia naufrága contemplou o oceano de tristeza que havia ao redor da ilha solidão. Não havia outro jeito de sair da ilha, a não ser nadar por aquele oceano de tantas lágrimas tristes de inúmeros acontecimentos dolorosos do passado. Ela se perguntava como havia se exilado por tanto tempo naquele lugar. Ela mesma sozinha tinha chegado a nado e agora, era a hora de partir novamente, seguindo o rastro do sol que insistentemente nascia no horizonte, avisando que estava na hora. Ela não conseguia mais chorar, apesar de ter tanta vontade de. Tomou fôlego e começou a jornada pelo oceano. Deixou a ilha da solidão para trás, em busca de afogar-se nas tristezas de morrer. Ela sabia que precisava. Então, depois de mais de meia-hora de nado, com o corpo dormente, ela finalmente afogou-se. As águas de tristeza invadiram seus pulmões, suas entranhas. Ela morreu em 5 minutos. Não houve um passe de mágica para salvá-la, não houve uma boa fada, ou um anjo qualquer. Só ela e a tristeza dela. A morte foi sua mãe. Recebeu-a em seu seio, como receberia um criminoso, um padre, uma criança. Envolvendo-a em seu braços, um bebê, disse: Eu também sou o milagre da renovação. Você vai morrer de novo. Sofrer de novo. Chorar de novo. Amar de novo. Ter fome de novo. Mas também você viverá: E isso é uma vez só.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

sibila assobiando

Sibila acordou dentro do sonho, como quem quisera nunca dormir: jamais ela pensara em adormecer. Todavia, ela não encontrava motivos para pesadelos, era uma pessoa que não se permitia jamais indispor-se consigo mesma.
Dentro do onírico e tênue realidade que se apresentava, ela dispunha de tesouras críticas para cortar os véus que lhe sucediam na evitância de pós-promulgar uma afirmação quase inventada: o mundo não era apenas uma vontade de representação, ele forçava um diálogo mental, espiritual e ausente de tudo e de nada. Sibila desconfiava que ela mesma fazia parte de alguma coisa, que ela era um pedaço que tinha vontade de potência de ser e ser vontade de potência de.
Caracterizava o mundo de mistério toda vez que rebentava um segredo, as coisas só tinham sentido porque ela os dava, porque ela os criava, apesar de nem sempre perceber e se perder - quem sabe? - nessa criação.
Mas esta coisa de perder-se não é para todos, só quem conhece bem o labirinto de si é capaz de entender o que se dá com Sibila quando ela ouve uma música.
Essa história de abismo, de superfície e de solidão saiu da idéia de ter medo da vida, tal coisa irracional não se sucede aos demais animais da natureza, só ao ser humano, e essa coisa meio que Sibila não entende o "porque": Sibila ama a vida e a morte como se fosse morrer de tanto viver.
Ah, e Sibila vive os próprios sonhos porque a idéia que veio da coragem dela foi que ela pode até perder tempo, mas, só se perde a vida uma vez e há quem diga que ninguém nunca encontre-a de novo - Sibila vive intensamente.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Do amor

O amor não existe: não é uma mentira ou uma verdade, ele simplesmente não existe.
Não adianta procurá-lo em si ou nos outros, não adianta procurá-lo nas coisas ou em deus(es).
Não há amor: o amor é.

terça-feira, 22 de março de 2011

Outro post qualquer (ponto).

Seguindo o exemplo de GaDêLhA, resolvi falar, berrar, vomitar: blaaargh.
Essa coisa de data, ano, começo e fim é tudo inventado - começo logo xingando quem inventou o calendário! Esse é o meu jeito saído do lixo de ser, sempre fui assim: uma escrotinha. Lembro que na 4ª série fiz minha primeira aparição de líder natural, guiando meus colegas rumo à "revolução das cocadas", coisa de pirraia: eu me ivoquei com a professora que havia exarcebado sua autoridade e tinha "metido a mão" nas nossas cocadas e comido-as sem permissão. Bem, foi uma causa justa na época, eu e a galera estávamos com fome, rsrsrsrssss.
Eu sempre fui a esquentada, a ivocada, a que brincava com os meninos de futebol, de porrada. A menina que dava pirueta, que subia em árvore, que comprava caldo de cana escondido. Eu era a menina-menino, ia do aserehê a beyblade na velocidade de um meteoro de pegásus....
Bem... agora falando a minha vida amorosa, eu acabei de sair de um relacionamento sério, que durou três longos anos (17 aos 20). Olha, pra quem me conhece sabe que eu sou o "capeta" que assistiu um culto. Que ainda sou virgem, isso não é segredo. Eu me desiludi, aquele amigo meu que eu amava, "não me ama mais", me deixou e ainda levou minhas coisas (Nietzsche!). Eu vivo numa época em que meu coração está em mil&um cacos. Eu sinto "medo" de quem outrora amei, está desfigurado - desfigurou-se! Não se reconhece...
Eu tô seguindo em frente, ainda pulsa em mim aquela menina, que tá virando mulher, mesmo que ensanguentada da queda. Mas, que mulher é mulher e não sangra?
Meu ano começa quando eu disser que começa. E essa bexiga já começou.
Fecho os olhos agora, e tudo me passa a rodopiar, numa enorme ciranda da minha vida: meus irmãos e irmãs, o grand-finale ainda está por vir. Segurem suas perucas, deixem seus narizes no ponto! Neste circo da vida, o bom palhaço não chora, vai embora sem explicar!