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quinta-feira, 2 de junho de 2011

existir não é ser

cada palavra que forma sentido de frase ou que não, substantivo substância, verbo ressoante, adjetivo restritivo, pronome substituto, preposição gostosa, cospe na cara da proposição escatológica do existir.
cada poema, verso, retrocesso, cabaço, balaço, terremoto, furacão, nascimento, encerramento, espetáculo, musical, explosão, assassinato, incêndio, pedinte-doante, etecetera e tal, é uma coisa que nem existe.
não há, mas é.
é e não existe, existir não é.
existir é apenas existir.
existir não é.
ser é.
ser pode existir ou não.
saci existe?
não deixa de ser saci.
deus existe?
não deixa de ser deus.
amor existe?
não. mas é amor.

ser é imprescindível, inadiável, impostergável, impreterível, horrível, insensato, impensado, inescusável, imprestável, inútil, absoluto.

ser não precisa de acreditar.
ser não precisa de nada: basta ser.

tenho medo do que existe e não é: como pode ser?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

De mim

objetivamente, não sei quem sou.
subjetivamente, há todo um mistério curioso.
pinga uma palavra aqui, escorre outra por a cá,
se é de poesia, não precisa umidecer.
deixe que queimem,
que rasguem e que atropelem.
deixe que berrem: amanhã o dia já veio.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Das Horas

faltam-me palavras: a vida ela mesma tirou-me todas!
despiu-me e lavou-me, mandou-me continuar a caminhar. disse-me em alto e bom tom: "vai, segue a minha vereda - a vereda da vida!
sou vida - a vida - mulher que só se dá a guerreiros! sou inúmeras coisas:
dor, poder, amor, raiva, sabedoria, prudência, imundice! sou a morte crua!
eu rio de mim mesma, e tu também irás rir de ti! canoniza teu riso, mostra-me teus dentes!"
surpreendi-me com esta mulher tão cheia de si, forte em demasia, capaz de dizer-se morte....
então, ela contou-me um segredo: "tens vida? então virás a ser! ser é imprescindível, mais até que existir! podes dizer que um deus que não exista, deixará de ser um deus pelo simples fato de não existir? ouça, para que eu - a vida - não tenha que repetir: tens vida? então virás a ser! segura tua própria mão, e não solta! porque existir não é necessário! ser é."
e foi assim que cantou a vida para mim.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A vida pode ser definida por três verbos no infinitivo:
Nascer, Viver e Morrer.
Muitos pensam que o grande "mistério" é Morrer, pois não sabemos o que acontece do outro lado, outros, porém, afirmam que o grande mistério é Viver, pois não sabemos para onde vamos e nem de onde viemos.
Mas o meu mistério mesmo... é Nascer.
(continua)*

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ego

Eu sou filha de mim.
Criada pela revolta,
pela anarquia,
pelo coração do mundo.

Eu sou filha de mim:
meu ventre a mim pertence,
seus frutos ao mundo pertencerão.

Eu sou filha de mim,
do meu sangue, do meu osso,
da minha carne e de meus pensamentos.

Nunca conheci ninguém que se pertencesse tanto quanto eu me pertenço. 
Meus pais me fizeram, mas, eu sou de mim desde que nasci.
Eu me possuo: -- Eu... sou filha de mim.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sem cor de música

Para dizer o como eu me sinto;
para exprimir algo que me foge da razão
e do instinto.
Algo inexpressível, tão secreto de mim.

Esses são os sentimentos das borboletas,
a música de Dvorák que não me sai da cabeça.
Assim, assim - forte som musical -, um compasso
descordenado de uma música sem cor.

O sentimento, a imagem, a música, a palavra:
- significados que eu esqueço na hora de dormir, porque o sonho já é outra coisa.