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quinta-feira, 26 de maio de 2011

As grandes aspirações medíocres

Escrevera o sumo da sabedoria vulgar,
lexemas banhados pela mais pura moral,
elevados ao mais alto patamar da filosofia universal,
com o sangue das prostitutas que deflorara em pensamento.

Desenhara o mapa do conhecimento secular,
com ferramentas nazistas de tortura,
delineara toda boa educação,
com todas a tintas da asneira.

Vivera em mais estúpido subalterno sentimento de vazio,
contrariando todas as leis da natureza violenta,
ordenando a cada um de seu covil,
que dançasse em agonia parasitária.

Fora um filósofo do horror,
descrevera como ninguém a própria estupidez,
negara a si o direito da vida,
justamente porque tinha uma náusea de morrer:
era um pobre ser assustado demais com a própria insignificância,
coisa que qualquer criança,
já passara a esquecer...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Dos de espírito vazio
















Há pessoas que são muito boas em simulacros: Vestem bem qualquer roupagem que lhes agrade e se põe a ludibriar os tolos! Mas eu, que sigo meu próprio coração, sei olhar bem entre as frestas. Há aqueles que são tão vazios que o amor neles só é capaz de demonstrar o ressoar do nada que são: Então eles ouvem e choram em silêncio. Então eles perdem a máscara de outrora, precisam da vida dos outros para viver e da morte dos outros para morrer. Tudo querem tocar, porque não tocam a si mesmos. Ah, estes vazios-d'alma são estéreis: perpetuam o vazio de si nos demais, são nulos, mornos - vomitáveis.

domingo, 19 de dezembro de 2010

vitória

A liberdade não é a vitória, a liberdade é um campo de batalha. Nós podemos fazer "paz e amor" nesse campo de batalha, ou podemos fazer "sangue e horror". As pessoas só deixam a liberdade quando morrem, pois morrer pressupõe vitória: todo o resto é vida. É luta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Geni

Aquela vadia canta mal, sua voz soa como uma gralha engasgada. Aquela vadia se veste feito puta, exibindo seu corpo que quer dar-se pra qualquer um, decotes e pouco pano. Ela não se dá valor, tem um vocabulário podre, cheio de palavrões e de pornografias. Ela bebe, fuma, fode, nessa ordem ou não. Ela degenera, ela agride aos olhos mais sensíveis, aos puritanos excitados, aos irmãozinhos com seus desejos mais sodômicos. Bunda, peitos, boca, buceta: ela fala, ela grita, ela geme, ela se depila, vai pra praia de fio-dental, ela não tem vergonha nenhuma, de nada, de ninguém. Ela é gostosa e bonita, o demônio da tesão, a libido encarnada. Ela dança até o chão, deixando tudo e o mundo pra trás, porque tudo está aquém dela quando ela rebola na micareta da classe média moralista que a deseja e a apedreja loucamente. Ela é perdida e é a própria perdição. Ela é incestuosa. Que nojo.

O nome dela é Geni, atira pedra na Geni, que ela é boa de cuspir.

A todos os filhos de suas putas que te chamam de puta, vez ou outra.


domingo, 14 de novembro de 2010

Rin Asano & Manji (Mugen no Juunin)



"Onde há censura,

nasce a rebeldia,
Onde há rebeldia,
habita a censura.
Nesta noite desoladora,
desta horda de gente repugnante."
[Mugen no Juunin (Blade of the Immortal)]

domingo, 7 de novembro de 2010

certeza

quem busca um amor, quer ser amado.
quem busca o amor, quer amar.
não conheço nenhum outra utilidade para a dor,
além da que ela tem: doer.
quem não tem no peito um coração
jamais vai entender.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Do Sono

Dentro do ônibus eu podia imaginar tudo de maneira irrestritamente diferente: o tempo, a velocidade, as existências. Percorri tudo com os olhos e a trama bronzear neural, decidindo o que selecionaria para uma história. Um recorte da realidade não superficial que eu iria talhar, aos poucos, diante de uma máquina, letra por letra, sintaticamente ligados, semanticamente ilusórios.
A gota do suor descia pelo meu rosto, fazendo cócegas nas minhas bochechas enquanto o vento contra-janela fazia a gota esgueirar-se pelo meu pescoço. Não dá pra descrever isso aqui, passo para o próximo parágrafo.
As silhuetas dos transeuntes faziam conjunto com as paredes cotidianas das ruas, a as silhuetas das ruas, e a silhueta das silhuetas se mostrava.
Quando dei por mim, acabara de acordar no Cáis de Santa Rita: de boca aberta, sem nenhuma palavra, limpei os resquícios de saliva envolta da boca.
Ademais era hora de descer, caminhar pelas ruas e ser também silhueta de silhueta.