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terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos Amigos e Aos Inimigos

"Detesto quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer a verdadeira companhia."
[Nietzsche]


E é isso: .



sábado, 17 de julho de 2010

A crise pós-moderna

A crise pós-moderna é modelar o presente ao passado e condenar o futuro ao escárnio. Os contemporâneos rendem-se à crise do eu tridimensional, num desesperado ato subversivo contra a própria humanidade. Nunca vivi em outras épocas para saber o quão desumano o ser humano está agora do que ele já foi ou será. O solo clama que alguém abra um novo caminho para a humanidade, uma nova oportunidade de renovar-se. Fecho meus olhos, escrevo poemas, sangro poesia: escrevo com sangue mal traçadas linhas. Cuspo na terra, produzo um pouco de lama, ofereço ao caos...:


"Quanta é a verdade que um espírito suporta, quanta é a verdade que ele ousa? essa foi, para mim, e cada vez mais, a tábua para medir valores. Engano (- a crença no ideal -) não é cegueira, engano é covardia..." [Ecce Homo - Nietzsche]

quarta-feira, 14 de julho de 2010

8.

"Posso permitir-me a ousadia de insinuar ainda um último traço de minha natureza, que me apronta grandes dificuldades no convívio com as pessoas? É própria de mim uma sensibilidade completa e sinistra do instinto de limpeza, de modo que eu percebo fisicamente - farejo - a proximidade ou - o que estou dizendo? - as partes mais internas, as "entranhas" de todas as almas...

Eu tenho antenas psicológicas nessa sensibilidade, com as quais eu apalpo todos os segredos, me apossando deles:a imensa sujeira escondida no fundo de algumas naturezas, talvez condicionada pelo sangue ruim, mas caiada pela educação, eu já percebo quase ao primeiro toque. Se é que eu observei corretamente, essas naturezas insuportáveis ao meu asseio sentem - também elas - as precauções do meu asco: mas, nem por isso passam a cheirar melhor..."

[Nietzsche - Ecce Homo]

segunda-feira, 12 de julho de 2010

I don't like to face problems. I would like to, but, maybe I'm not ready, sometimes.
Even when is important, I just pass it of. "Tomorrow i will solve this", I say. But, it never happens.
But, unusually, I can make milacres. I can shout and, loudy, say: "It's my life and I'm just being stupid. It's mine. I can do whatever I want."
So, I solve one of the less important problems. That's my way to begin. It's just hard, but deeply simple.

Arrogância Clichê


"Você não pode julgar ninguém. Quando você aponta um dedo pra alguém, aponta três para si mesmo!", Dizem os tolos, os amigos dos tolos e os tolos amigos dos tolos. Então, o apontador pensa: "É verdade! Não posso julgar ninguém!" Assim também os tolos transformam todos os julgadores em tolos. Eu não sou tola. Quando aponto para alguém, começo com apenas um dedo. Raras pessoas são dignas do segundo e nunca conheci uma pessoa que tivesse cacife para um terceiro dedo meu apontado. "Eu", meu caros leitores e leitoras, é quem aguenta os meus três dedos. Não sinto pena de quem deveria saber se defender, mas, sinto compaixão por aqueles que realmente não sabem. Quando escrevo, quando falo - apontando - não o faço com formigas, nunca. Faço contra ratos, gabirus, talvez. Meu dedo irá na sua parte mais resistente. Preste atenção: e acima de tudo, não me confunda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

*



"Além das estrelas, depois da Lua e do Sol, após todos os planetas, no fundo do espaço sideral, encontrar-se-a o infinito caos. Há quem diga que é inimaginável e intangível chegar a tais recônditos. Quem isso afirmar por certo esqueceu do coração do ser humano e de sua imaginação. É que quando há um limite, é que temos a possibilidade de transgredi-lo. É que quando ultrapassamos a náusea, retomamos nosso pequeno lugar de céu: infinito. A canção do Caos é silenciosa. Sua dança é veloz, precisa, cheia de cores decadentes."

***


A menina avistou uma gaivota negra. Ela nunca tinha visto uma gaivota daquela cor. Segui-la era o que ela tinha que fazer. Ela fez, e achou a ponte para a casa de um deus do céu, com nuvens, estrelas e silêncio.






[créditos da imagem: Nene]

sábado, 19 de junho de 2010

Ela entrou naquela sala, mirou pela enésima vez aquela estante enorme, grávida de livros. Ela também estava grávida, gestante de uma enorme solidão que precisava parir - e partir. A gravidade sempre aumenta dez vezes o que a gente tem de massa. Isso nos finca no chão como pedra que somos, como mineral irresoluto. Ela estava vasculhando por algo, um livro que a contasse o segredo do universo mas que fosse leve como o céu.  E havia aquela canção japonesa não a deixava em paz, ressoava na cabeça dela, a música que falava sobre "florescer com rancor": O desabrochar da flor, pede à Deus e reza. O mundo em que vivo, minha existência: são desalentadores, mas o sonho não morre. Floresce com rancor.