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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Do Sono

Dentro do ônibus eu podia imaginar tudo de maneira irrestritamente diferente: o tempo, a velocidade, as existências. Percorri tudo com os olhos e a trama bronzear neural, decidindo o que selecionaria para uma história. Um recorte da realidade não superficial que eu iria talhar, aos poucos, diante de uma máquina, letra por letra, sintaticamente ligados, semanticamente ilusórios.
A gota do suor descia pelo meu rosto, fazendo cócegas nas minhas bochechas enquanto o vento contra-janela fazia a gota esgueirar-se pelo meu pescoço. Não dá pra descrever isso aqui, passo para o próximo parágrafo.
As silhuetas dos transeuntes faziam conjunto com as paredes cotidianas das ruas, a as silhuetas das ruas, e a silhueta das silhuetas se mostrava.
Quando dei por mim, acabara de acordar no Cáis de Santa Rita: de boca aberta, sem nenhuma palavra, limpei os resquícios de saliva envolta da boca.
Ademais era hora de descer, caminhar pelas ruas e ser também silhueta de silhueta.

Para: frasear.

é um homem sozinho

com singela compainha de uma solitude
como solidão faceira
que chega, revoluciona e nos deixa só.


como enfretar o dia-a-dia, só?
só achar que se é forte por solidão,
então, você precisa de alguém que te queira : só.

Aí você quer tê-lo, talvez, e não mais só.
Junto. Conjunto...
Mais aí já é outro poema.

Pouco Suor

Não há pouco suor na vida,

Viver e viver é suar e suar.
Suar pra fazer menino,
Suar pra menino nascer.
Dar o quê de comer pra menino,
Se o suor não descer?
d'A vida de si pra vida de cá
É uma eterna sudoriparização:

- Escorre a gota?


Inda tá vivo, menino - viver é labutar.

Crônica da agonia de um afã

Mudar o mundo, casar, comprar o pão, trabalhar, viver, ir à praia, viver; responsabilidade, morr e viv: (s)er.
Um ser humano acorda, acha que está bom. Ele toma café, poderia ter sido melhor.
Sai na rua, pega o ônibus que, milagrosamente não está lotado: pois, ele está saindo do centro da cidade para o subúrbio.
Ele reflete, mais uma vez. Ele é rico, mas, tenta ser uma coisa melhor.
Esse ser humano trabalha numa ONG, se vê bem lá. Se é lá.
Então, ele fica alegre lá, junto dos pobres, dos miseráveis, dos desdentados, dos piolhentos, dos imundos, "homens carangueijos", homens carangueijos.
Ele é capaz de amá-los. Não ama a modelo da revista.
Ele também não é Jesus, está com a Maria, mas também com a Madalena.
Não há bom sem defeito.
Está de noite, um momento de solidão:


Terá que dormir em um apartamento caro, com a tv de lcd porque... dinheiro é um grilhão.

sentada sobre minas pernas

O tempo é a morte suscinta, é o vagar pelo caminho da vida oxidante.

Cada respiração, cada movimento peristáltico, cada sibilar de novas palvras:
- é de vida que se vive e, é de vida, que se morre.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Caledosópio II

criança matando o palhaço
é como um círculo que não roda
é como um círculo que não fecha
é comum.

desfecho entre panela e balaço
faz da vida o quiser
faz da rotina uma qualquer
fácil.

centelha! almeja! celebra!
segura firme uma verdade morta
abre um buraco, enterra
de cara pintada por nada
renega
sabe que no nada, a lei é criar.

só não sabe de que horas vai voltar.

domingo, 3 de outubro de 2010

O caderno de Joana







O texto que eu mais gosto escrito por Denis: O caderno de Joana

Esse texto, eu sinto, é um pouco sobre mim...