Para dizer o como eu me sinto;
para exprimir algo que me foge da razão
e do instinto.
Algo inexpressível, tão secreto de mim.
Esses são os sentimentos das borboletas,
a música de Dvorák que não me sai da cabeça.
Assim, assim - forte som musical -, um compasso
descordenado de uma música sem cor.
O sentimento, a imagem, a música, a palavra:
- significados que eu esqueço na hora de dormir, porque o sonho já é outra coisa.
sábado, 11 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
The Hours
"You live with the threat, you tell me you live with the threat of my extinction. Leonard, I live with it too."
(Virginia Woolf - The Hours)
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Coumata Pessoal
domingo, 5 de dezembro de 2010
Excepcionalíssima Missiva
Recife, 05 de Dezembro de 2010.
Sempre tive esta idade, muito embora eu, vez ou outra, tenha recordações de outros tempos.
Aprendi a forjar palavras muito antes dos cinco anos, e nesta época eu nem sabia ler o que eu mesma escrevia; pelo menos não ortodoxamente -- eu escrevia "abbacba" e imaginava ter escrito "há um céu pra todos."
Minha maior decepção fora com as nuvens: nunca pude tocá-las.
Mas eu secretamente ainda as adoro, um primeiro amor nunca é esquecido facilmente, apesar de.
Tempo!
Eu nunca soube também o que era o tempo e porque as pessoas viviam perdendo-o ou me mandando parar de perder uma coisa que nunca tive. O tempo para mim sempre foi absoluto mistério, e por isso eu sempre estava a espreita e me distraía de várias coisas, procurando por ele. Eu sempre achei que devia procurá-lo, mas, depois percebi que o tempo não é um velho caduco e que não precisa que lhe procurem, ele sempre aparece, o tempo é de ninguém.
Os velhos sim, precisam que nós os procuremos e lhes ofereçamos cuidados: eles já acharam o tempo deles.
Eu gostava de inventar nomes e sombras quando andava de carro. Gostava de ver as sombras voarem e fazer tudo aquilo que eu via nos desenhos animados, coisas que eu só puder fazer as minhas sombras fazerem. Ainda hoje, no ônibus, gosto de ficar em silêncio e ver as minhas sombras e suas piruetas: elas desviam de tiros que jamais eu conseguiria desviar, elas alcançam o alto dos edifícios onde eu jamais alcançaria, elas tocam as nuvens que eu nunca toquei. Minhas sombras não me assustam e eu não as assusto.
Tive que usar óculos só depois que eu os queria, depois que passei a usá-los voltei a querê-los. Agora escrevo palavra por palavra, certinhas e em seu lugar, mas, sempre me recordo do meu primeiro caderno com uma história ilegível, pois era agramatical. Hoje sei sintaxe, semântica e o escambal, porém, minha história mais original era a que só eu podia entender: tinha "aaddto", "etuvrt" e "abbacba", que não adiantava desmisturá-las, re-ordená-las ou embaralha-las novamente, nunca achariam palavra semelhante em nenhuma língua: naquela época infante eu tinha inventado a minha própria língua, com sua própria sintaxe e semântica: cada palavra podia significar o que quisesse, podia se inverter se quisesse e podia mudar de sentido sempre. Era assim que a minha escrita era livre e solta, podia escrever qualquer coisa e vir a ler a qualquer momento que a história podia mudar: não havia diferença entre o que havia sido lido ou o que eu ainda ia ler -- as palavras estavam lá pra contar infinitas histórias, de trás pra frente, de frente para trás.
E foi assim que eu cresci e alcancei a idade que eu já tinha. Mesmo que eu olhe para meu passado, sinto que ele poderia mudar tanto quanto meu presente ou futuro. O tempo continua de ninguém. Eu nunca mais procurei o tempo.
Sei que vou reconhecê-lo assim que encontrá-lo.
Tudo de bom para mim, vejo-te sempre n'eu.
Beijos.
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capítulos bruscos,
Coumata Pessoal
sábado, 4 de dezembro de 2010
Para sempre, Yu Yu Hakusho!
A música fala por si só:
"O corre corre da cidade grande,
Tanta gente passa
Estou só
O vento sopra pelo campo,
E trás uma lembrança sua
Estou só (...)"
Estou só
O vento sopra pelo campo,
E trás uma lembrança sua
Estou só (...)"
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Orações Complexas
Toda reza complexa
deixa deus embaralhado:
Ou se fala simplesmente com ele,
ou é melhor ficar calado.
deixa deus embaralhado:
Ou se fala simplesmente com ele,
ou é melhor ficar calado.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
No meio da cidade, há ordem e desordem.
No meio de mim, não sei o que há.
Medida do Beijo
Só aquilo que é importante é retido pelo coração, todo resto desimportante fica na mente: a cabeça é o playground das ideias, as dita-cujas sem razão. A senda do amor é a mais difícil de se percorrer, pois, é um caminho que dá voltas e que exige ao ambulante que o percorra de tudo aberto: cabeça, ombros, joelhos e pés.
A via crucis do amador - aquele que ama, ainda que não-profissional no que faz - é o andar descalço no escuro:
- porque fechou os olhos para beijar.
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amor
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