"E aqui lhe rendo esta homenagem tardia mas veemente, no pleno silêncio deste quarto frio e povoado de trevas, tendo por quadro-negro esta parede onde a custo faço deslizar a ponta do meu lápis, já que a lua hoje não veio da Ásia e não consigo sequer enxergar o meu triste corpo ajoelhado na cama."
[Campos de Carvalho, A Lua vem da Ásia]
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
capítulos bruscos
I
"Escreve com sangue e descobre que sangue é espírito."
[Nietzsche]
- revoltante tu não acreditares em magia negra! é claro que isso existe!
- desculpe, não acredito mesmo. e nem sei se o espírito é imortal...
- louca és! arderás no inferno!
- também não acredito em inferno. deixe-me em paz em meus desacreditares.
- você não teve educação, não imagino como uma pessoa possa viver sem acreditar em deus, magia negra e inferno.
- e eu também não posso acreditar que uma pessoa viva carregando tudo isso nas costas e ainda reste tempo para ser feliz.
houve uma pausa, 1 segundo. milhares de centenas de pessoas piscaram os olhos naquele momento, em todo o mundo. a saliva secou, a poeira voou, a terra girou e nenhuma consciência mudou.
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sábado, 31 de julho de 2010
"Chorar o leite derramado não é tão inútil quanto se diz, é de alguma maneira instrutivo porque nos mostra a verdadeira dimensão da frivolidade de certos procedimentos humanos, porquanto se o leite se derramou, derramado está e só há que limpá-lo, (...)"
[José Saramago - CAIM - pg. 40]
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Aos Amigos e Aos Inimigos
"Detesto quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer a verdadeira companhia."
[Nietzsche]
E é isso: .
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sábado, 17 de julho de 2010
A crise pós-moderna
A crise pós-moderna é modelar o presente ao passado e condenar o futuro ao escárnio. Os contemporâneos rendem-se à crise do eu tridimensional, num desesperado ato subversivo contra a própria humanidade. Nunca vivi em outras épocas para saber o quão desumano o ser humano está agora do que ele já foi ou será. O solo clama que alguém abra um novo caminho para a humanidade, uma nova oportunidade de renovar-se. Fecho meus olhos, escrevo poemas, sangro poesia: escrevo com sangue mal traçadas linhas. Cuspo na terra, produzo um pouco de lama, ofereço ao caos...:
"Quanta é a verdade que um espírito suporta, quanta é a verdade que ele ousa? essa foi, para mim, e cada vez mais, a tábua para medir valores. Engano (- a crença no ideal -) não é cegueira, engano é covardia..." [Ecce Homo - Nietzsche]
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
8.
"Posso permitir-me a ousadia de insinuar ainda um último traço de minha natureza, que me apronta grandes dificuldades no convívio com as pessoas? É própria de mim uma sensibilidade completa e sinistra do instinto de limpeza, de modo que eu percebo fisicamente - farejo - a proximidade ou - o que estou dizendo? - as partes mais internas, as "entranhas" de todas as almas...
Eu tenho antenas psicológicas nessa sensibilidade, com as quais eu apalpo todos os segredos, me apossando deles:a imensa sujeira escondida no fundo de algumas naturezas, talvez condicionada pelo sangue ruim, mas caiada pela educação, eu já percebo quase ao primeiro toque. Se é que eu observei corretamente, essas naturezas insuportáveis ao meu asseio sentem - também elas - as precauções do meu asco: mas, nem por isso passam a cheirar melhor..."
[Nietzsche - Ecce Homo]
segunda-feira, 12 de julho de 2010
I don't like to face problems. I would like to, but, maybe I'm not ready, sometimes.
Even when is important, I just pass it of. "Tomorrow i will solve this", I say. But, it never happens.
But, unusually, I can make milacres. I can shout and, loudy, say: "It's my life and I'm just being stupid. It's mine. I can do whatever I want."
So, I solve one of the less important problems. That's my way to begin. It's just hard, but deeply simple.
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